Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Jardim Secreto

O Jardim Secreto

15
Jan17

A força da fraqueza

Ela era forte, e fraca ao mesmo tempo. Pensava muito, amava muito, entregava-se muito, preocupava-se muito... Tudo acontecia em grande escala para ela. E de tanto que queria fazer, acabava por não fazer nada.

À noite deitava-se na cama para dois, onde só um dormia, com uma caneca de chá nas mãos e um gato a seus pés e pensava em como o mundo era um lugar inóspito e cruel e como uma alma sensível e delicada como a dela, com uma mente que trabalhava mais depressa do que o ponteiro dos segundos do relógio, poderia sobreviver e vingar num lugar assim.

Mas apesar dos pensamentos obscuros e assustadores que tinha quando a noite caia, assim que o sol se erguia afastava-os ao mesmo tempo que afastava as cobertas,  enchia-se de coragem e determinação para ser mais e melhor. 

Podia ser frágil e dada ao exagero, podia ter medo e inseguranças, mas acreditava que se continuasse a tentar, um dia seria mais forte do que fraca, menos pensativa do que mais e acabaria por fazer tudo o que sonhava... ou não, e seria feliz na mesma.

O seu ponto de vista era assim: cada dia é uma dádiva. Uma oportunidade de melhorar, de apreciar. De dar valor às coisas aparentemente insignificantes, mas na verdade, importantes da vida. O som do restolhar das folhas das árvores. Os raios de sol que aquecem a pele. As gotas de chuva que dão de beber à natureza. O prazer de caminhar simplesmente por caminhar, sem destino.

E assim marchava ela, com determinação e medo, qual soldado em direcção à batalha, pois sabia que desde que continuasse a caminhar, chegaria a altura em que daria de caras com o seu destino. 

5 setas perdidas

Comentar post