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O Jardim Secreto

O Jardim Secreto

19
Fev17

Ansiedade e ataques de pânico

Hoje venho aqui falar-vos de um assunto delicado para mim. Venho falar-vos disto na esperança que talvez alguém se identifique e saiba que não está sozinho. Ou quem sabe, alguém já tenha passado por isso e tenha algum conselho para me dar ou até mesmo palavras de ajuda. 

Desde os meus 18 anos (ou seja, há cerca de seis anos) que sofro de transtorno de ansiedade e ataques de pânico.

No ínicio foi um verdadeiro pesadelo, foi horrível... posso dizer, definitivamente, que foi a pior altura da minha vida. 

Bastava ir a qualquer sítio que desencadeava logo um ataque de pânico. E garanto-vos, não é bonito. Isto levou a outras coisas, como agorafobia, perda de auto-estima, insegurança, ínicio de uma depressão... Eu não sabia o que era, não sabia como lidar com aquilo, estava completamente exausta, perdida, triste, frustrada... 

Por fim, já deixava de fazer as coisas com medo de desencadear um ataque de pânico e a vida passava-me ao lado. Perdi muito peso e tornei-me uma sombra de mim mesma.

O que desencadeou isso? Porque eu, logo eu, tinha que padecer deste mal? Ainda hoje não tenho a certeza, mas tenho alguns palpites e acho que foi a combinação de várias coisas: genética (tenho pessoas na minha família com problemas mentais, psicológicos, de nervosismo, etc), ter sido vítima de bullying durante vários anos na infância e adolescência, não estar pronta para certas responsabilidades e ser muito imatura, não lidar com as coisas com frontalidade, mas em vez disso, guardar tudo para mim...

Olhando para trás, agora vejo que sempre fui uma criança ansiosa. Já denunciava alguns sintomas. Quando se me apresentava algum desafio, sentia-me sempre maldisposta. 

Porém, com a ajuda de acompanhamento psicológico e de medicamentos, a coisa lá foi melhorando. Não deixei de ser uma pessoa ansiosa. Os ataques de pânico não desapareceram completamente. Mas melhorou. Aprendi técnicas de combate aos ataques de pânico, aprendi que quando me sinto assim o melhor é continuar sempre, fazer o que me assusta para que o medo possa deixar de existir...

Hoje em dia, é algo que ainda existe e acho que serei sempre uma pessoa com predisposição a ser mais ansiosa. Continuo a aprender a lidar com isso e a viver a minha vida como se isso não fizesse parte da equação. Há dias melhores do que outros...Mas tento sempre melhorar.

Já estive pior. Mas também já estive melhor. O fim da relação que já mencionei aqui no blog foi um grande choque para mim, uma grande mudança... Virou o meu mundo do meu avesso e deixou-me mais vulnerável, mais sensível e sim, mais ansiosa.

Tenho reavivado antigas amizades, o que me deixa muito feliz. Tenho conhecido novas pessoas, sendo uma delas o C. O C. é fantástico, muito amoroso, muito acessível, mesmo boa pessoa... O problema é que ele já confessou que tem sentimentos por mim e anda sempre em cima de mim. Sempre a telefonar, a tentar combinar cafés e saídas... E isso deixa-me nervosa. Genuinamente nervosa. Deixa-me nervosa em grande parte porque ele tem muitas semelhanças com o ex. Tantas que chega a ser assustador. E porque, muito sinceramente, não vejo mais do que uma amizade entre nós. Mas não sei como dar isso a entender sem o magoar. Por outro lado, também não quero que ele tenha esperanças em relação a algo que provavelmente nunca vai acontecer, porque muito honestamente, eu não quero ter qualquer tipo de ligação amorosa com ninguém nem tão cedo.

Ainda estou a tentar que a minha vida volte aos eixos, estou a redescobrir-me e a aprender a ser feliz. Estou a tentar ser uma pessoa "resolvida". Mas para isso preciso de tempo e de espaço. Preciso de fazer as coisas nos  meus termos, com quem quero e quando quero. Preciso de ser livre e de ter tempo para mim.

Agora a questão é como vou passar a mensagem... 

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